No final da década de 1980, agricultores e agricultoras do Litoral Norte do Rio Grande do Sul começara a buscar a concretização de um sonho: uma produção agrícola em harmonia com a natureza e uma organização social que conduzisse a uma sociedade mais justa e fraterna.
O sonho do alimento limpo também era partilhado pelas pessoas da cidade, especialmente de Três Cachoeiras.
Buscando ligar as propriedades rurais já ecologizadas e esta cidade, diferentes estratégias foram experimentadas, mas a ideia que veio para ficar foi a organização de uma cooperativa de consumidores de produtos ecológicos. Assim, inspirada na pioneira Cooperativa Coolméia da capital do Rio Grande do Sul, a Coopet – Cooperativa dos Consumidores de Produtos Ecológicos de Três Cachoeiras – foi criada em 1999.
A história continua e hoje consumidores de dois municípios do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e um do Sul de Santa Catarina têm o privilégio de acessar alimentos sem agrotóxicos produzidos pela agricultura familiar através das Cooperativas de Consumidores do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia.
Cada Cooperativa possui um Conselho Administrativo (seis membros) e Conselho Fiscal (três titulares e três suplentes), renovados a cada dois anos. Para se integrar a Cooperativa: Pagamento de cota-parte (em torno de R$80,00 = US$ 32,00). Ficha de inscrição aprovada pelo Conselho Administrativo
Preço final dos produtos: acréscimo médio de 50% para pagamento de custos operacionais – aluguel, funcionários, impostos, despesas de água, eletricidade, serviços de manutenção, embalagens, etc.
Abertas ao público em geral, cada cooperativa tem sua dinâmica de funcionamento, mas em geral, associados têm 10% de desconto.
A Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas – Econativa – , foi fundada em setembro de 2005, com a proposta de facilitar o acesso dos produtos ecológicos no mercado institucional.
Coopet – Cooperativa dos Consumidores de Produtos Ecológicos de Três Cachoeiras
No final dos anos 80 e início dos anos 90, a idéia da Agricultura Ecológica vinha sendo discutida amplamente por agricultores e agricultoras da região de Torres como resistência e alternativa ao modelo imposto pela Revolução Verde e suas dramáticas conseqüências para o meio rural. Estas questões levantadas principalmente pela Pastoral Rural encontraram eco junto a famílias da região resultando na organização de diversos grupos de agricultores ecologistas nos últimos 10 anos.
A comunidade urbana, especialmente estimulada pela Pastoral Rural e algumas lideranças como professores e outros, sentiam a necessidade e a urgência de buscar o consumo de alimentos mais sadios. Passaram então, a demandar dos inúmeros agricultores ecologistas do município e da região a oferta de produtos ecológicos.
Diferentes estratégias foram tentadas, tais como uma feira semanal e a entrega de cestas a domicílio, mas a disponibilidade dos produtos reduzida a um só dia na semana e a variedade limitada devido à sazonalidade e às condições climáticas da região fez com que estes consumidores buscassem outro tipo de organização: uma cooperativa de consumidores de produtos ecológicos .
A idéia e a iniciativa pioneira na região, alia o princípio cooperativista ao consumo de alimentos sadios, em equilíbrio com o meio ambiente e em parceria com as organizações de agricultores ecologistas.
A COOPET foi fundada em 18 de maio de 1999 e hoje tem 95 associados. Conta com um Conselho Administrativo, composto por 6 membros e Conselho fiscal, com 3 membros titulares e 3 suplentes. Os dois conselhos são renovados a cada 2 anos. Seu ponto de vendas, localizado no centro do município, foi inaugurado em 05 de junho de 1999, Dia Internacional do Meio Ambiente. Comercializa mais de 100 produtos diferentes, oriundos de grupos e associações de agricultores ecologistas.
Em outubro de 2002 a COOPET implantou um sistema muito especial de relação entre os sócios e a Cooperativa. Os associados pagam uma mensalidade e adquirem produtos a preço de custo. E o que é preço de custo? Se a funcionária compra, por exemplo, um vidro de Molho de tomates dos agricultores a R,30, ele será vendido aos sócios pelos mesmos R,30. Mais um exemplo: um saco de batatas de 50Kg custa R,00. Somando-se o frete que é R,50/saco, o preço final por kg é R,05, que será pago pelo associado.
Do quadro de 72 sócios (em outubro de 2002), 16 não quiseram assumir as mensalidades e 36 pessoas resolveram se associar. A mensalidade foi fixada em R$ 30,00, valor que cobre os custos operacionais e paga atualmente por 92 sócios. Este sistema deu tão certo que gerou um aumento de pelo menos 200% nas vendas. Mas para ser reproduzido por outras cooperativas é fundamental o real comprometimento do quadro de associados, como aconteceu na comunidade de Três Cachoeiras.
Em novembro de 2022 a Coopet tem 83 associados.
Econativa -Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas do Litoral Norte do RS e Sul de SC
Em 2005, as famílias que 20 anos antes começaram a fazer agricultura ecológica no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, fundaram, com o apoio do Centro Ecológico, no município de Três Cachoeiras, a Cooperativa Regional de Produtores Ecologistas do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina (Econativa).
A ideia era que a Agroecologia da região tivesse uma personalidade jurídica para, entre outras finalidades, atender os mercados institucionais. Assim, os alimentos orgânicos que antes abasteciam somente as feiras e cooperativas de consumidores, chegaram até as cantinas de escolas e universidades.
Dois anos mais tarde as famílias ecologistas da Serra Gaúcha organizaram, também com o apoio do Centro Ecológico, uma filial da Econativa no município de Ipê.
As Econativa da Serra e Litoral comercializam orgânicos in natura, grãos, sucos e polpas processados nas unidades de produção e beneficiamento. As famílias associadas podem comprar insumos e se abastecer também com orgânicos.
Mais informações sobre a história da Econativa no site econativa.coop.br.
Ecotorres – Cooperativa de Consumidores de Produtos Ecológicos de Torres

Estimulada pelas tendências mundiais de consumo de produtos ecológicos e pelas conseqüências nefastas do uso de produtos químicos nos alimentos, algumas lideranças locais e militantes ambientalistas urbanos, iniciaram a articulação de uma Cooperativa de Consumidores de Produtos Ecológicos em Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul.
Ao contrário do que aconteceu no município vizinho de Três Cachoeiras, onde diversas alternativas de comercialização de alimentos ecológicos foram tentadas antes do êxito da Coopet, Torres já contou com a referência geograficamente próxima. Assim, professores e professoras, ambientalistas e outras pessoas envolvidas buscaram o apoio do Centro Ecológico e da pioneira Coopet.
A Ecotorres foi fundada em 17 de novembro de 1999 e tem hoje 150 sócios. Conta com um Conselho Administrativo, composto por 6 membros e Conselho fiscal, com três membros titulares e três suplentes. Os dois conselhos são renovados a cada dois anos.
Comercializa mais de cem produtos diferentes, oriundos de grupos e associações de agricultores ecologistas do estado do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, bem como de outras regiões do país.
Inaugurada em 2000, a loja já ocupou três diferentes pontos, mas sempre no centro da cidade. Em dezembro de 2006, a loja da EcoTorres fez parte da Casa da Economia Solidária, O objetivo deste espaço era dar visibilidade aos empreendimentos de economia solidária do do litoral norte do RS e Sul de SC, assim como de outras associações e grupos de outras regiões.
Hoje a cooperativa está em uma loja na rua Borges de Medeiros 400, no Centro de Torres e está identificada com a comercialização da polpa do Açaí da Mata Atlântica, um produto da biodiversidade regional, de grande importância para a conservação da floresta. A produção do açaí da palmeira juçara foi estimulado por um projeto desenvolvido pelo Centro Ecológico e ambientação do ponto de venda também.
